segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Azar do futebol

Yago Lorenzon.

Adeus à um gênio, um adeus doído, que machuca e muito quem gosta de futebol. Alex foi tão 10 quanto sua camisa, foi idolatrado por onde passou e deixou saudade até mesmo por onde não passou.
No Couto Pereira, sua segunda casa, assim como o Mineirão, Palestra Itália e Turquia, ele fez sua despedida, emocionante e emocionado, Alex foi ovacionado por uma torcida apaixonada por ele.
Alex foi um jogador raro, de toque refinado, qualidade inquestionável e muita elegância ao tratar a bola, sua companheira por 19 anos. O futebol perdeu um jogador inteligente, algo cada vez mais raro nos dias de hoje, em meio a um futebol truncado, com jogadores priorizando mais o físico que a técnica. Sua inteligência em campo já o fazia diferente de vários, entretanto Alex não foi apenas inteligente ele foi completo, foi armador, artilheiro, canhoto que sabia finalizar de direita, meia que sabia cabecear.
Obrigado por deixar nosso futebol bonito e alegre, obrigado por nos fazer conhecer a Turquia, país onde você é ídolo nacional, costumo dizer que Alex é o Zico turco tamanha sua idolatria. Obrigado por nos mostrar que jogador pode fazer a diferença fora das quatro linhas também, Alex lutou, batalhou e suou pelos direitos de seus companheiros.
No Coritiba foi o "Menino de Ouro", no Cruzeiro foi craque, no Palmeiras foi Divino (mesmo que esse apelido seja de outro camisa 10), na Turquia foi gênio, e agora no Coritiba novamente, se tornou mito, um mito que não é exclusivamente brasileiro mas também turco.

Alex fez o futebol sofisticado parecer simples e ao mesmo tempo fez o toque simples, a visão de jogo parecer algo tão sofisticado, fez a inteligência impressionar o “brucutu”, foi o atleta dos sonhos de qualquer treinador, exceto os da seleção brasileira. Talvez tenha sido o jogador mais injustiçado na história da seleção, em 2002 novo demais para Felipão, em 2006 considerado “menos craque” que qualquer um do quadrado mágico para Parreira, em 2010 foi a única fez que ele não merecia ser convocado, porque era muito bom para o time de Dunga e em 2014 não era de se esperar que Felipão o levasse, pois já era considerado jogador velho. Mas o fato de nunca ter disputado uma Copa do Mundo não o faz menos gênio, aliás, o azar é todo da Copa do Mundo.

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