segunda-feira, 7 de julho de 2014

A era dos Wrestlers e a queda dos Brasileiros.

Thiago Sanches.

Comecei a gostar de MMA em 2005, quando assisti o GP histórico do Pride em que Shogun se saiu campeão. De lá para cá o esporte evoluiu muito e com a ascensão do UFC, as lutas sangrentas, cheias de pisões e tiros de meta da época do Pride, foram aos poucos substituídas por lutas mais técnicas e digamos, "amarradas".
O UFC cresceu, ganhou grande visibilidade, chegou em diversos países do mundo e com isso novas regras foram implantadas. Não é mais permitido chutar ou dar joelhada na cabeça do adversário quando está em posição de três apoios (basicamente quando o adversário estiver de joelhos, sentado ou deitado), golpes mais violentos que colocavam a integridade do atleta em risco foram proibidos, as quedas e transições na luta agarrada ganharam maior peso na pontuação, assim, alguns wrestlers vem levando vantagem nos combates.

É claro que quanto mais completo o atleta, maior vantagem ele leva, hoje em dia ninguém mais treina apenas uma ou outra modalidade, todos treinam de tudo e a maioria dos wrestlers tem um bom nível de luta em pé, grande conhecimento de Jiu Jitsu e outras lutas de solo, porém, é fato que os atletas que tem no wrestling sua essência ou que tem um nível superior na luta olímpica vêm se destacando no evento.
De oito categorias de peso no UFC, cinco campeões começaram no wrestling e destes cinco apenas um não "roubou" o cinturão de um brasileiro.
Demetrious Johnson se tornou campeão da categoria peso-mosca (até 57 kg) ao vencer um pequeno torneio de quatro lutadores em setembro de 2012 (quando o UFC estreou a divisão) e mantém o cinturão até hoje.



A queda dos campeões brasileiros começou com Jon Jones tirando o título dos meio-pesado (até 93 kg) das mãos do Mauricio "Shogun" Rua. Antes de largar a faculdade para ingressar no MMA, Jones colecionou títulos no wrestling; Shogun, por sua vez, vem de uma tradicional escola de Muay Thai, a "Chute Boxe", que também foi a casa de Wanderlei Silva e Anderson Silva.
Depois de bater Shogun, Jon Jones varreu a categoria vencendo, entre outros, os Brasileiros Lyoto Machida, Vitor Belfort e por ultimo Glover Teixeira.



Pelo Peso-pesado (até 120kg) Junior Cigano conseguiu derrotar Cain Velasquez na primeira luta, trazendo o cinturão para o Brasil, mas na revanche e depois na terceira luta foi dominado por Velasquez. Cigano é considerado por muitos o atleta com o melhor boxe aplicado no MMA, mas seu boxe e jogo de pernas diferenciado não foram suficientes para conter o wrestling e a agressividade do Americano de ascendência Mexicana.

Em Julho de 2013 foi a vez de Chris Weidman chocar o mundo ao derrotar o até então imbatível e invicto no UFC Anderson Silva.
O "Striker fenomenal" (como descrevem Anderson no site do UFC) já teve problemas com um wrestler outra vez, Chael Sonnen conseguiu dominar o Spider por 5 rounds, mas no fim, Anderson conseguiu finalizar o Americano. Contra Weidman, por duas vezes Silva não obteve o mesmo resultado, o que firmou Chris como campeão do peso-médio (até 84 kg). Weidman ainda fez uma defesa de título contra Lyoto Machida, onde venceu por pontos após uma luta que durou os cinco rounds.


O último brasileiro a ser derrotado por um Americano em uma disputa de título foi Renan Barão que é um dos novos talentos nacionais, atleta da Nova União (mesma de José Aldo) ganhou destaque no peso-galo (até 61 kg) fazendo boas lutas e utilizando golpes plasticamente bonitos, chegou rapidamente ao topo mas cedeu para TJ Dillashaw.

José Aldo é o único brasileiro dono de um cinturão no maior evento de MMA do mundo.
Aldo é um dos fenômenos do esporte, com apenas uma derrota em toda sua carreira, segue invicto no UFC por mais de seis anos. É o segundo colocado no ranking de todas as categorias (atrás de Jon Jones) e é um dos atletas a serem batidos. 
O principal desafiante de Aldo no Peso-pena (até 66 kg) é Chad Mendes, que já foi nocauteado pelo brasileiro na primeira luta, esperamos que este wrestler não consiga o que os outros citados neste texto conseguiram.
Além disso, Fabrício Werdum pelos pesados e Vitor Belfort pelos médios terão as próximas chances de começar a virar esse jogo, fica a nossa torcida, vamos voltar ao topo.

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